A captação de leite para processamento por 17 dos maiores laticínios do país cresceu 6,5% em 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). No total, essas empresas e cooperativas, que são responsáveis por dois em cada cinco litros de leite captados no Brasil, receberam 11 bilhões de litros no ano passado — em 2024 foram 10,3 bilhões de litros.
No ranking anterior, o volume divulgado para o ano de 2024 havia sido de 10,8 bilhões de litros de leite. Porém, na revisão dos dados, foi identificada uma informação em duplicidade, e o número foi corrigido para 10,3 bilhões, explicaram os organizadores do levantamento.
A francesa Lactalis manteve a liderança no ranking em 2025, com uma captação de 2,9 bilhões de litros. O volume total captado pelas 17 empresas que integram o ranking representa cerca de 40% dos 27,5 bilhões de litros de leite que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são formalmente inspecionados no país. O volume total de leite produzido no país cresceu 8,5% no ano passado em comparação com 2024.
O aumento na captação de leite pelas empresas se deve principalmente a uma melhora nos preços pagos ao produtor, após um período de queda, disse o presidente da Abraleite, Geraldo Borges, ao Valor. Segundo o indicador Cepea/Esalq, o preço ao produtor chegou a ser cotado a R$ 1,88 por litro em outubro de 2023, mas em março de 2025 superou a marca de R$ 2,80 no Brasil.
“Não que os preços fossem extraordinários, mas eles melhoraram em 2024 e no primeiro semestre de 2025 comparado a 2023. Houve um incentivo maior à produção”, afirmou Borges.
O levantamento apontou que a redução no número de produtores que entregam leite às empresas do ranking se acentuou em 2025. O número de fornecedores no ano passado ficou em 43,2 mil, uma queda de 3,2% em relação a 2024.
De acordo com Borges, a diminuição no número de produtores é um movimento natural, que se torna mais exacerbado em momentos de crise.
Preços em queda e produtividade em alta
Ele disse que os preços mais baixos ao produtor foram influenciados principalmente pelo excesso de importações de lácteos, que saiu de uma média histórica entre 1,5% e 3% para 8% a 12% do total consumido no Brasil. “Isso causa um transtorno enorme, com baixa de preço pago ao produtor e quebradeira”, disse o dirigente.
Por outro lado, a produtividade das propriedades que fornecem leite às empresas do ranking aumentou 12,4%, chegando a 647 litros/dia em 2025. “Os produtores que estão permanecendo estão entendendo que têm de melhorar a sua competitividade através de tecnificação, tecnologia, melhor manejo, melhores práticas administrativas e zootécnicas, e aí eles vão investindo na produtividade do seu rebanho”, observou.
Entre as 17 empresas que fazem parte do ranking, 13 registraram aumento no volume de leite em 2025. Não houve alteração nas primeiras colocações. A líder Lactalis captou 2,9 bilhões de litros de leite em 2025, alta de 7,6% em relação ao ano anterior.
De acordo com o diretor de Assuntos Regulatórios e Corporativos da Lactalis, Guilherme Portella, a meta da empresa é chegar a uma captação de 4 bilhões de litros até 2030. Cerca de 20% dos produtores que entregam a matéria-prima à Lactalis são atendidos pelo programa Lactaleite, que oferece plano de assistência técnica e fornecimento de insumos. Entre esses produtores, o crescimento chegou a 18%, segundo Portella.
“Não é 100% da nossa base de produtores, mas ajudou bastante a impulsionar a produtividade e a qualidade do leite junto a esse público”, afirmou.