Este foi o recado explícito que Rogério Marinho, que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, passou ao governador do Paraná durante a reunião de mais de uma hora que os dois tiveram nesta quarta-feira (11) em Brasília. Flávio não participou porque estava no Chile, acompanhando a posse do novo presidente, assim como Valdemar da Costa Neto que está nos EUA.
Ratinho teria proposto ao PL um palanque duplo no Paraná — tendo o deputado federal Filipe Barros como pré-candidato ao Senado. A proposta foi rechaçada. O governador do Paraná então pediu um prazo até dia 25 para equalizar a situação. Rogério Marinho, no entanto, parece querer resolver a pendenga antes disso.
Conta uma boa fonte do PL que este encontro pode acontecer já na próxima terça-feira. Uma das dúvidas é se o PL vai exigir que Moro se filie ao partido de Flávio ou se vai apoiar a candidatura do União Brasil.
O coordenador da pré-campanha de Flávio tentou demover Ratinho da ideia de disputar o Palácio do Planalto, acenando até com a possibilidade do governador ser vice na chapa presidencial do PL. Rasgou elogios ao paranaense, que, por sua vez, manifestou a intenção de concorrer à presidência da República em outubro.
Diante do cenário de rivalidade política com Flávio, Marinho chegou a dizer diretamente a Ratinho que abriria diálogo com o ex-juiz da Lava Jato que lidera as pesquisas de intenção de voto na corrida pelo governo do Paraná.
Palacianos temem um acerto entre PL e Moro, que fortaleceria a candidatura do senador, mas, ao mesmo tempo, confiam na habilidade política de Ratinho para encontrar uma saída. Com viagem oficial marcada para Europa, Ratinho tem pouco tempo para desatar este nó e fazer chegar à direção nacional do PL uma solução.
Na avaliação do PL, o palanque para Flávio no Paraná, com 8,4 milhões de eleitores, passa a ser estratégico num cenário de eleição apertada contra o presidente Lula.
Ciente desta necessidade, dirigentes do Republicanos procuraram o PL, após o encontro com Ratinho, oferecendo a chapa Alexandre Curi/Rafael Greca como opção de palanque para o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro — caso os dois deixem o PL de Ratinho e se juntem numa chapa majoritária.
Rogério Marinho reagiu com um sorriso amarelo. O fato de Moro liderar com folga as pesquisas de intenção de voto no Paraná desde o ano passado pesa à favor do ex-juiz. Mas as negociações estão só começando.
Algumas dúvidas, no entanto, já surgem: quanto à Cristina Graeml que se filiou ao União de Moro para disputar o Senado, a candidatura dela será mantida neste novo desenho? O PL, que já declarou apoio a Filipe Barros, vai dar legenda para a jornalista disputar o Senado?
O que o PP de Ricardo Barros vai exigir de espaço na chapa majoritária?
As dúvidas estão aí e faltando três semanas para o fim da janela partidária muita costura política será feita — algumas até então impensadas e surpreendentes.