A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um reajuste no preço do diesel de R$ 0,38 por litro a partir de sábado (14). O aumento, após 312 dias de preço congelado, é uma resposta à alta do preço do petróleo e seus derivados no mercado internacional por causa da guerra no Oriente Médio. A empresa não alterou o preço da gasolina.
Em comunicado, a estatal explicou que o preço médio do diesel A praticado pela companhia para as distribuidoras aumentará para R$ 3,65 por litro, e a participação da Petrobras no preço do diesel B será, em média, de R$ 3,10.
O diesel A é o vendido nas refinarias, antes de ser misturado a biocombustíveis. Já o diesel B é o comercializado nos postos ao consumidor final, depois de as distribuidoras efetuarem a mistura obrigatória.
A decisão pelo reajuste foi tomada nesta sexta-feira (13), um dia após o governo Lula anunciar um pacote de medidas para conter alta no preço do diesel. O governo zerou as alíquotas de PIS/Cofins, o que representa corte de R$ 0,32 no preço do litro do óleo diesel, e autorizou a subvenção econômica para importadores e produtores de diesel.
“Ressalta-se que o impacto do reajuste anunciado para o consumidor final é mitigado, uma vez que o Governo Federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a comercialização de diesel”, disse a empresa, em nota.
A Petrobras informou que o efeito combinado do ajuste de preços para as distribuidoras anunciado e o potencial benefício do programa de subvenção à comercialização do óleo é equivalente a R$ 0,70 por litro. A subvenção prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.
Alta do diesel é efeito da Guerra EUA-Israel x Irã
A Petrobras estava segurando o aumento para evitar passar para o mercado interno a grande volatilidade que está sendo observada no mercado internacional por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã, com o petróleo operando em torno dos US$ 100 o barril. As medidas anunciadas pelo governo Lula amenizam o repasse de parte da defasagem de preços da estatal.
A defasagem do diesel nas refinarias da Petrobras atingiu recorde de 85% esta semana, e, no fechamento da quinta-feira, estava em 72%, dando espaço para um aumento de R$ 2,34 por litro, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Já o preço da gasolina registrou defasagem de 43% e poderia ser elevado em R$ 1,10 por litro, nas contas da entidade.
Último reajuste foi em fevereiro de 2025
A Petrobras lembra que o preço do diesel foi alterado pela última vez em maio de 2025, quando houve uma redução. Já o último aumento foi em fevereiro de 2025.
Nas contas da Petrobras, desde dezembro de 2022, os preços de diesel vendidos às distribuidoras registram redução acumulada de R$ 0,84 por litro, o equivalente a uma queda de 29,6%, considerada a inflação do período.
Estreito de Ormuz fechado encarece petróleo
A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completa duas semanas nesta sexta-feira. Uma das formas de retaliação do Irã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, ao sul do Irã. Por lá, passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O gargalo na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços. Nesta sexta-feira, o contrato futuro do barril de petróleo Brent, preço de referência, está negociado perto de US$ 100 (equivalente a cerca de R$ 520).
Há duas semanas, a cotação beirava US$ 70, ou seja, em 15 dias subiu cerca de 40%. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.