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Morte de Miss no Paraná: após 8 anos, Justiça decide que réu encontrado em apartamento com porta blindada vai a júri popular

Publicado em 13/03/2026 | Por Redação - Rádio Cristalina
Fonte: G1

Crédito da imagem: (Foto: Reprodução/Instagram)

Armando Diego Salvadego irá a júri popular, conforme decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Ele - que foi encontrado em um apartamento com porta blindada - é suspeito de ser o mandante das mortes da miss Bruna Zucco Segatin, de 21 anos, e de Valdir de Brito Feitosa, de 30. O crime aconteceu em Altônia, no noroeste do Paraná, em 2018. Relembre abaixo.

Além dele, também são réus Marcos Rodrigues Fernandes e Paulo Roberto Kuntz. Os três são acusados de duplo homicídio qualificado: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e para assegurar a impunidade de outro crime. Clique aqui para ler o que as defesas dos homens disseram sobre a decisão.

Segundo a sentença publicada nesta quarta-feira (11), Armando foi o mandante do crime no contexto de uma disputa territorial ligada a atividades ilícitas, em que "o crime teria sido praticado como forma de afirmação de domínio e eliminação de desafeto desenvolvidas".

A prisão dele aconteceu no dia 7 de junho de 2025.

Marcos é identificado na sentença como a pessoa que fez o contato entre Armando e Paulo, considerado como o executor do crime.

"Testemunhas protegidas relataram que o próprio acusado [Paulo] confessou a prática do duplo homicídio, descrevendo a dinâmica dos fatos, a motivação ligada à disputa territorial e o posterior incêndio do veículo com os corpos das vítimas", diz a decisão.

As três prisões preventivas foram mantidas. A data do julgamento não foi estabelecida até a última atualização desta reportagem.

Na mesma sentença, dois réus foram impronunciados: Edelclei Rodrigues da Fonseca e Eliezer Lopes de Almeida. Isso significa que o juiz considerou que as provas reunidas contra eles são insuficientes para o júri popular. Os dois receberam alvarás de soltura e não estão mais presos.

Relembre o caso
A Miss Altônia Bruna Zucco, de 21 anos, foi vista pela última vez na madrugada de 22 de março de 2018, depois de sair da faculdade.

Na manhã do mesmo dia, dois corpos foram encontrados carbonizados em uma picape em uma estrada rural do município.

No momento da abordagem, Bruna estava junto a ele e também foi morta. Os dois foram atingidos por tiros.

Desde o início das investigações a polícia trabalhava com a hipótese de que os corpos encontrados queimados eram das vítimas. O irmão de Feitosa já havia reconhecido o carro e uma caixa de ferramentas que estava na caçamba do veículo.

Os moradores de Altônia relataram o clima tenso na cidade após os crimes, e disseram que esperavam que uma solução rápida.

Investigação durou sete anos
Conforme o delegado Reginaldo Caetano, os crimes foram motivados pela disputa entre grupos que atuam no contrabando e no tráfico de drogas.

Bruna havia sido eleita Miss Altônia em 2017 e foi morta, segundo o inquérito, porque estava na companhia de Valdir - suspeito de realizar contrabando de cigarros. Caetano explicou que a jovem não tinha envolvimento com os crimes ou com a disputa.

"a mulher assassinada [...] não tinha nenhum envolvimento com o crime, tendo sido executada apenas por estar com o homem, para que não pudesse testemunhar contra os assassinos", também informa a nota do MP-PR

O suspeito de ser o mandante tem ligação com o tráfico de drogas, de acordo com a polícia. Ele teria planejado o crime, contratando um pistoleiro de Santa Catarina e dado apoio financeiro para que o homem morasse por alguns dias em Altônia até que fosse possível abordar Valdir.

No total, foram sete anos de investigação. A polícia divulgou que indícios importantes foram destruídos pelo incêndio onde os corpos estavam, e isso dificultou o trabalho.

O que as defesas dizem
Por meio de nota, o advogado que representa Eliezer informou ao g1 que aguarda a absolvição de todos os suspeitos.

"O Judiciário já deu a resposta, dois foram impronunciados e agora os outros três seguem no processo, que nós não temos dúvida alguma que também merecerão a absolvição, seja pelo poder judiciário ou pelos jurados quando levados a julgamento pelo Tribunal do Júri", disse o advogado Jackson Bahls.

A defesa Edelclei considerou a medida de impronunciar o suspeito "absolutamente acurada e necessária".

"Desde o princípio, a defesa sempre sustentou que não existia qualquer prova material que vinculasse Edelclei aos fatos investigados. Ao longo de aproximadamente sete anos de investigação, seu nome jamais havia aparecido anteriormente no inquérito policial, tampouco foi mencionado por qualquer das testemunhas ouvidas durante a fase investigativa ou judicial", disse o advogado Bruno Henrique de Souza Silva.

O advogado que defende Marcos disse ao g1 que ainda não tomou ciência da decisão e que não irá se manifestar no momento.

O g1 também procurou a defesa de Armando e Paulo, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

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