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Indústria da carne bovina teme perda de até 40% das exportações com guerra no Irã

Publicado em 03/03/2026 | Por Redação - Rádio Cristalina
Fonte: Globo Rural

Crédito da imagem: Foto: Wenderson Araújo/CNA

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã pode impactar de 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Apesar de o Oriente Médio ser destino final de cerca de 10% do volume, ou cerca de 250 mil toneladas, os portos da região são pontos de parada para navios que seguem para a Ásia e até de desembarque de cargas que partem dali para outros países de outros modais, inclusive a China, maior cliente do setor nacional.

Levantamento feito pelas empresas exportadoras associadas da Abiec revelaram um cenário “gravíssimo”, nas palavras do presidente da associação, Roberto Perosa.

“O impacto pode ser de 30% a 40% da nossa exportação. Estamos muito preocupados”, afirmou ao Valor. Ele salientou que o dano potencial vai depender do tempo de duração do conflito e de eventuais soluções que sejam encontradas para resguardar o fluxo logístico na região.

As exportações brasileiras de carne bovina estão estimadas em cerca de 3 milhões de toneladas em 2026. No limite, o conflito poderia afetar o comércio e transporte de 1 milhão de toneladas, disse Perosa. O volume inclui as exportações para a China, principal importador, e todo o sudeste asiático.

A logística de envio da carne para o outro lado do mundo inclui paradas em portos da região, como Bahrein, Catar, Omã e Emirados Árabes Unidos. Parte é redistribuída por terra para locais mais próximos. “Tudo isso teria que ser interrompido”, apontou.

Navios aguardam em alto-mar
Alguns efeitos já são sentidos. Navios que transportavam carne brasileira aguardam em alto-mar sem poder atracar nos portos do Oriente Médio. Empresas de transporte marítimo já têm rejeitado contratos para envio de qualquer tipo de carga para a região.

Outras, que ainda se arriscam, têm cobrado uma taxa extra, chamada de “taxa de guerra”, de US$ 4 mil por contêiner. “Isso inviabiliza a exportação”, alertou o dirigente.

Segundo Perosa, não há alternativas imediatas para solucionar o problema, pois não existe demanda para suprir o volume de 1 milhão de toneladas que pode ser afetado ao longo do ano. Também não há pedidos específicos para o governo federal, pois a solução está distante de Brasília, argumentou.

“A guerra torna ainda mais desafiador o ano de 2026, já impactado pela cota de exportação para a China. É algo que pode gerar um impacto grande na pecuária brasileira por não ter demanda”, apontou o dirigente.

Redução de abates no radar
Na visão de alguns analistas de mercado e de executivos de frigoríficos, a solução pode ser diminuir o ritmo de abate de bovinos no Brasil, já que a demanda externa tem sido pressionada. 


Há ressalvas sobre o impacto que esse movimento poderia causar, como queda no faturamento do setor e no preço do boi.

Perosa não quis comentar essa questão, mas disse que a situação representar novo freio nos negócios. “Estamos muito preocupados com a desaceleração do setor no Brasil neste ano, diante desse fato novo que impacta os negócios”, completou Perosa.

Ele disse que o custo logístico de alguns negócios já aumentou. “Tem uma série de cargas no mar que estão aguardando, pois os navios não podem atracar. E isso custa, continua gastando combustível, tem a alimentação de todos os tripulantes”, citou. Além disso, comentou sobre a elevação do preço do petróleo, que também respinga nesses contratos marítimos.

A situação levantou um “alarde” entre as associadas da Abiec na reunião do conselho da entidade nesta terça-feira (3/3) em São Paulo. “É uma preocupação gritante. Começa a se tornar um cenário muito desafiador”, resumiu.

“O ano de 2026 tem sido de fortes emoções, vemos muita diminuição de mercado para carne bovina, não por problema sanitário, pois vivemos o melhor momento nesse quesito. Mas por questões geopolíticas que influenciam o destino da carne brasileira e que não estão no controle do Brasil.”

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