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Política

Guerra no Oriente Médio pode impactar eleição brasileira de 2026

Publicado em 08/03/2026 | Por Redação - Rádio Cristalina
Fonte: CNN

Crédito da imagem: (Foto: POTUS/Fotos Públicas)

Há uma semana, os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, ampliando o conflito no Oriente Médio. Os desdobramentos da crise, que ocorre a sete meses das eleições presidenciais brasileiras, podem impactar diretamente o cenário político de 2026, a depender da duração e da intensidade da guerra.

“Todo conflito de grandes proporções impacta o cenário doméstico de qualquer país”, afirmou o cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino. “No momento, observamos impacto econômico, principalmente na questão do petróleo, o que deve desequilibrar a narrativa do governo Lula”.

Os preços do petróleo acumulam alta de cerca de 30%. Na última sexta-feira, o Brent, referência global da commodity, ultrapassou US$ 94 o barril, resultado da interrupção no fornecimento de combustíveis provocada pela guerra.

“Se a alta recente do Brent se provar persistente, um aumento no preço da gasolina será inevitável”, escreveu o economista-chefe da XP, Caio Megale, em relatório divulgado em março.

Caso o petróleo permaneça elevado ao longo de 2026, os custos tendem a se difundir pelas cadeias produtivas de bens industriais, alimentos e serviços, encarecendo o custo de vida da população. Segundo especialistas, os mais afetados seriam os brasileiros de baixa renda, base eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV EAESP, avalia que a inflação pressionada pode afetar a percepção da população: “Isso seria muito ruim para o eleitor que recebe Bolsa Família, que recebe até dois salários mínimos, para o qual o custo de vida seria o mais afetado e que é a grande base social e eleitoral do Lula. Acho que Lula dificilmente escapará do efeito disso”.

Do lado da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como forte candidato nas pesquisas, deve explorar o tema para atacar o governo.

Até aqui, o Planalto tem destacado indicadores econômicos positivos e trabalhado em pautas populares, como a escala 6x1. Mas, segundo Consentino, “mexer com o petróleo em um momento como esse certamente pode bagunçar esses indicadores”.

Já Caio Megale observa que, no curto prazo, a arrecadação tributária segue forte e a alta do petróleo pode até gerar receita adicional.

“O recente salto nos preços do petróleo em resposta ao conflito no Irã, de aproximadamente 60 para 80 dólares por barril, pode gerar uma receita líquida adicional de R$ 21,4 bilhões em 2026. Contudo, o cenário de aumento da dívida pública persiste, e os riscos fiscais podem crescer à medida que a eleição se aproxima”.

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