Uma crise interna no Partido Liberal (PL) do Paraná culminou, nesta quinta-feira (26), na saída em massa de prefeitos da sigla. Ao todo, 53 gestores municipais oficializaram a desfiliação, em um movimento diretamente ligado à entrada do senador Sergio Moro no partido e à sua pré-candidatura ao governo do estado.
A articulação da debandada é liderada pelo deputado federal Fernando Giacobo, ex-presidente do PL no Paraná, que também deixou a legenda. O movimento ganhou força após Moro ser alçado como nome prioritário da sigla para disputar o Palácio Iguaçu, com apoio do senador Flávio Bolsonaro, contrariando os planos da antiga direção estadual.
“É o momento de nós pensarmos no estado do Paraná. Nós não podemos deixar a coerência de lado. Não podemos abandonar um governador de estado. Não venham me dizer que eu não entendo disso. Eu tenho seis mandatos, Eduardo, e conheço cada município desse estado”, afirmou o deputado federal Fernando Giacobo.
Em coletiva, Giacobo critica Moro e cobra coerência política
Segundo informações da repórter Ana Beckhauser da Ric RECORD, em tom crítico, o deputado federal Fernando Giacobo também fez referência indireta ao senador Sergio Moro ao defender coerência política durante a coletiva.
“Não abro mão. Palavra está no DNA, no caráter de cada um de nós. Vocês não me viram e nunca vão me ver falando mal da administração de alguém, fazendo a crítica que é devida, para depois de um ou dois anos abraçar aquela pessoa e dizer que ela é o melhor candidato da história. Não contem comigo”, afirmou.
Racha no PL expõe disputa pelo governo do Paraná
A decisão evidencia o racha interno no PL paranaense. Antes da filiação de Moro, a cúpula estadual defendia alinhamento com o grupo político do governador Ratinho Junior, que deve apoiar outro nome na disputa pelo governo. Entre os municípios impactados pela debandada estão cidades estratégicas com alta densidade eleitoral, como Foz do Iguaçu, Cascavel e Guarapuava.