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Chance de El Niño entre junho e agosto de 2026 chega a 62%, diz agência climática dos EUA

Publicado em 12/03/2026 | Por Redação - Rádio Cristalina
Fonte: G1

Crédito da imagem: (Foto: NOAA)

A agência climática americana NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, na sigla em inglês) confirmou nesta quinta-feira (12) que a La Niña está chegando ao fim e emitiu um alerta oficial de El Niño para o segundo semestre de 2026.

Segundo um boletim do Centro de Previsão Climática da agência, há 62% de chance de o El Niño se configurar entre junho e agosto e se manter pelo menos até o final do ano.

No trimestre julho-agosto-setembro, a chance sobe para 72%. Em agosto-setembro-outubro, chega a 80%.

No fim do ano, entre outubro e dezembro, a probabilidade de um El Niño ativo atinge 83%, ainda segundo os modelos oficiais da agência.

Antes disso, uma fase de neutralidade climática deve predominar. A NOAA estima 93% de chance de condições neutras — sem La Niña nem El Niño — entre março e maio, caindo para 55% entre maio e julho, à medida que o El Niño começa a ganhar espaço.

A partir daí, os modelos apontam para o desenvolvimento do El Niño.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.

O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global.

A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária.

Ainda segundo a NOAA, a La Niña continuou presente em fevereiro de 2026, trazendo temperaturas do mar abaixo da média no centro-leste do Pacífico equatorial.

O índice Niño-3.4, principal referência para monitorar o fenômeno, registrou -0,5°C na última semana. Apesar disso, as temperaturas subsuperficiais do oceano vêm aumentando, um sinal de que o calor está se acumulando nas camadas mais profundas e deve emergir nos próximos meses.

A NOAA destaca dois fatores que sustentam a expectativa de El Niño:

  • a grande quantidade de calor acumulado abaixo da superfície do Pacífico
  • e o enfraquecimento previsto dos ventos alísios de baixos níveis, que sopram de leste para oeste sobre o equador.

Quando esses ventos enfraquecem, permitem que a água quente represada no Pacífico oeste se desloque para o leste e afete o clima global.

Ainda assim, a força do possível El Niño permanece incerta para a agência. A NOAA aponta uma chance de um em três de que o evento seja classificado como "forte" entre outubro e dezembro de 2026, o que ocorre quando o índice Niño-3.4 atinge ou supera +1,5°C.

Outros modelos internacionais, como o europeu ECMWF, chegam a projetar chances de um evento ainda mais intenso, mas a agência americana ressalta que as previsões climáticas são menos confiáveis nesta época do ano, período conhecido como "barreira de previsão de primavera".

As projeções tendem a ganhar mais precisão a partir de junho. O próximo boletim diagnóstico da NOAA sobre o ENOS está previsto para 9 de abril de 2026.

“Os modelos já indicam a possibilidade de um El Niño forte a partir de maio, ganhando força ao longo do inverno. Mas ainda é cedo para falar em um ‘super El Niño’; por enquanto, esse cenário precisa de mais confirmação”, explica o meteorologista César Soares, da Climatempo.

Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado.

Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja:

  • 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
  • 2009–2010: El Niño moderado.
  • 2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
  • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
  • 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.

Modelo Europeu prevê 'super' El Niño
Segundo dados mais recentes do ECMWF, o planeta pode estar caminhando para um novo episódio de El Niño ainda em 2026, possivelmente com intensidade elevada.

As projeções indicam 98% de chance de formação de um El Niño moderado até agosto, além de 80% de probabilidade de que o fenômeno se torne forte. Há ainda 22% de chance de que o evento alcance a categoria considerada “super”, associada aos episódios mais intensos já registrados.

No Brasil, quando o El Niño está em atuação, o calor é reforçado no verão e o inverno é menos rigoroso. Isso ocorre porque ele dificulta o avanço de frentes frias no país, fazendo com que as quedas sejam mais sutis e mais breves.

Não há um consenso, contudo, entre meteorologistas e climatologistas para a definição exata de um Super El Niño.

De forma geral, o termo é usado quando o aquecimento das temperaturas do mar nessa região-chave do Pacífico supera 2°C acima da média, provocando uma resposta atmosférica de grande magnitude.

Esses eventos raros ocorrem, em média, uma vez a cada 10 a 15 anos.

O histórico dos eventos anteriores serve de alerta para regiões vulneráveis. Durante o Super El Niño de 2015-16, secas severas castigaram partes da África, da América Central, da Ásia e da Oceania. Países tropicais da América do Sul, África, Oriente Médio, Índia e Austrália tendem a registrar calor e umidade extremos nesses períodos.

Há também o risco para as temperaturas globais. Eventos intensos de El Niño quase sempre empurram o planeta para anos recordes de calor, pois o calor liberado pelo oceano se redistribui pela atmosfera com meses de defasagem — o que significa que os efeitos mais intensos podem ser sentidos ao longo de 2027.

Apesar dos sinais crescentes, a incerteza ainda é significativa. As previsões de El Niño tendem a ser menos precisas nesta época do ano, sob influência da chamada "barreira de previsão de primavera" no Hemisfério Norte, um período em que os modelos climáticos apresentam menor confiabilidade.

“Esse tipo de evento é mais raro e, por enquanto, os dados ainda não são suficientes para confirmar um cenário tão intenso”, afirma Soares.

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