O Centro Climático da Ásia-Pacífico (APCC, na sigla em inglês), com sede na Coreia do Sul, aponta que há 84,6% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño entre abril e junho deste ano. Para a parte final do período, as chances de que o fenômeno ocorra sobem para 97,4%, segundo o instituto.
As projeções apontam que o índice Niño 3.4 deve sair de 0,47 °C em abril e avançar até 1,75 °C em setembro, sugerindo a transição para um episódio de intensidade moderada a forte. A projeção também aponta um enfraquecimento gradual do La Niña.
Na semana passada, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) havia informado que a probabilidade de um novo episódio de El Niño era de 62% entre junho e agosto e de 72% entre julho e setembro.
Segundo a APCC, as previsões são baseadas em um conjunto de modelos climáticos internacionais e devem ser utilizadas apenas como referência, sendo recomendada a consulta aos serviços meteorológicos nacionais para avaliações oficiais e regionais.
O El Niño tende a fazer com que o inverno seja menos seco e frio. “O inverno vai ser mais úmido e com temperaturas mais elevadas. Além disso, a primavera deverá ser bem chuvosa no Sul”, explica o agrometeorologista da Rural Clima Marco Antônio dos Santos.
Qual é a diferença entre La Niña e El Niño?
Os fenômenos indicam as variações de temperatura da porção equatorial do Oceano Pacífico. Durante os períodos de El Niño, as águas aquecem 0,5°C ou mais em relação à média histórica. Quando ocorre um resfriamento igual ou maior do que 0,5°C, chamamos de La Niña.
Em ambos os casos, esta oscilação deve se manter por, pelo menos, cinco trimestres consecutivos para o fenômeno ser oficializado como ativo. Há diversas teorias sobre as variações, mas não há um consenso na comunidade para justificar estes ciclos. O que se sabe com certeza são os efeitos de La Niña e El Niño no clima.
Em períodos de La Niña, o tempo costuma ficar mais seco no Sul do país, e as chuvas frequentas migram para o Norte e Nordeste do país. No Sudeste e no Centro-Oeste, faz mais frio do que o habitual. Durante o El Niño, o oposto ocorre, problemas de estiagem preocupam o Norte e Nordeste e as tempestades o Sul.