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Calor e tempo seco: o que esperar do clima em março no Brasil

Publicado em 28/02/2026 | Por Redação - Rádio Cristalina
Fonte: Globo Rural

Se fevereiro foi intenso do ponto de vista climático, com chuvas acima da média e temperaturas altas, março, que começa neste domingo (1/3), será marcado pelo calor e tempo mais seco que o normal em boa parte do Brasil.


De acordo com Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK, apesar da configuração prevista para o último mês do período chuvoso de 2026 indicar menos precipitação, o acumulado deve ser o suficiente para causar transtornos em algumas áreas, como aconteceu na última semana.


Após o início do outono, no dia 20, a tendência é que as chuvas fiquem mais concentradas no Norte e Nordeste. A condição está associada à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema em que a posição e a intensidade dependem da temperatura do Oceano Atlântico.


“O acumulado em março costuma ser muito alto na maior parte do Norte e no litoral do Maranhão, com volumes que podem passar dos 420 milímetros. São áreas que correm risco de transtornos. Em Goiás e Mato Grosso, em um mês de março normal, os totais chegam a 260 milímetros, enquanto em Minas Gerais e áreas de São Paulo se aproximam dos 220 milímetros”, explica.


Uma das consequências do espaçamento entre as precipitações será a elevação das temperaturas, com episódios de calor excessivo. As médias podem variar entre 28°C e 30°C em áreas da Bahia, Mato Grosso do Sul, Roraima e Rio Grande do Norte.


A condição aumenta, a partir da metade do mês, o risco de ondas de calor, fenômeno caracterizado quando as temperaturas máximas ficam 5°C ou mais acima da média mensal por pelo menos cinco dias consecutivos, conforme definição da Organização Meteorológica Mundial (OMM).


Como será o clima em cada região do Brasil?

SUL

A previsão indica a ocorrência de episódios de chuva que podem aliviar, ao menos temporariamente, a estiagem registrada no Rio Grande do Sul e também em Santa Catarina. Apesar disso, os volumes não devem ser suficientes para reverter os prejuízos já causados em lavouras de milho e soja. No geral, o mês tende a ser mais seco e quente.


O município de Júlio de Castilhos, por exemplo, um dos maiores produtores de soja do Rio Grande do Sul, decretou situação de emergência, com perda estimada em 20% no cultivo, além de 15% no milho grão e 20% no milho destinado à silagem, totalizando quase R$ 150 milhões.


SUDESTE

Assim como no Sul, o Sudeste deve registrar chuva abaixo da média e temperaturas elevadas ao longo do mês de março. De acordo com Celso Filho, a precipitação ocorre de forma mais espaçada, com períodos prolongados de tempo seco entre um episódio e outro.


“Em Minas Gerais e no Espírito Santo, essa redução será positiva para a retomada das atividades no campo. Pode surgir alguma preocupação com o desenvolvimento da segunda safra de milho em Minas, mas a chuva prevista para abril eleva a umidade do solo”, diz.


Ainda no setor agrícola, a chuva abaixo da média no oeste de São Paulo durante o verão intensifica os prejuízos nas lavouras de cana-de-açúcar.


CENTRO-OESTE

A chuva deve ocorrer de forma espaçada, garantindo períodos prolongados de tempo seco. No entanto, os volumes previstos para o fim do mês tendem a reduzir a preocupação dos produtores de milho em Mato Grosso e Goiás com a estiagem.


Em relação às temperaturas, o prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica calor intenso e até 1°C acima da média em Mato Grosso do Sul.


NORTE

A faixa que abrange Roraima, Amapá, Acre e as porções oeste e norte do Amazonas deve registrar chuva acima da média em março. Já no Pará, Tocantins e Rondônia, os volumes tendem a ser menores, o que aumenta a atenção para o nível dos rios, como o Madeira.


O calor observado em janeiro e fevereiro deve se manter em março, com destaque para Roraima, onde as temperaturas podem ficar até 0,4°C acima da média, reforça o Inmet.


NORDESTE

No litoral do Maranhão, a chuva será próxima da média em março, enquanto no restante da região os volumes tendem a ser menores. Ainda assim, a condição não preocupa a agricultura, já que o acumulado em fevereiro e a previsão de chuvas mais intensas em abril devem manter o solo com boa umidade.


O cenário acelera a colheita da soja e da primeira safra de milho e oferece condições favoráveis para o algodão na Bahia e a conclusão da colheita de cana-de-açúcar na Zona da Mata do Nordeste.


As temperaturas permanecem elevadas e podem ficar até 0,6°C acima da média na Bahia, em Pernambuco e no Maranhão.

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