Durante sessão solene na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11/3), o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), e a vice-presidente, senadora Tereza Cristina (PP-MS), defenderam a reformulação do Plano Safra e a elaboração de uma lei espelhada na Farm Bill americana, com planejamento plurianual e mais previsibilidade.
"Fomos para todos os lados, para vários lugares do mundo, para mudar a realidade do financiamento da safra. Chega de ter Plano Safra em julho, com orçamento já defasado. Vamos buscar uma Farm Bill brasileira, um plano plurianual com previsibilidade e que vença gargalos políticos. Que consigamos perpassar os períodos de governo, para que financiamento não seja política de governo, mas de Estado", disse Lupion.
"Temos que ter atenção ao crédito. O modelo do Plano Safra está ultrapassado. Temos que encontrar um modelo que dê garantia ao produtor rural que ele tenha acesso ao crédito e seguro", completou Tereza Cristina.
Em momento de alta no endividamento rural e de queda no acesso aos financiamentos por linhas tradicionais do Plano Safra, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a defesa por mudanças no modelo de política agrícola para concessão de crédito ao campo.
Efeitos da guerra no Oriente Médio
Os dirigentes da FPA também que a guerra no Oriente Médio vai impactar nos custos de produção do setor agropecuário e cobraram medidas do governo federal para atenuar o cenário.
Segundo a senadora Tereza Cristina, a guerra já impacta no preço e na disponibilidade de óleo diesel, e esse é apenas o primeiro dos problemas decorrentes do conflito. "Temos a venda de milho para o Irã, nossos fertilizantes, que somos tão dependentes quanto de óleo diesel (...) Isso é custo de produção que vai aumentar e temos preços muito baixos de nossas commodities. O custo não vai fechar", completou.
Pedro Lupion disse que os problemas geopolíticos são "gravíssimos" e disse que é preciso uma solução para o desabastecimento de óleo diesel relatados pelos produtores no campo.
"Qual vai ser nosso caminho em relação ao óleo diesel, ao desabastecimento, com o Estreito de Ormuz fechado. Mesmo com investimentos em refinarias, infelizmente elas não servem ao Brasil e não resolvem o problema de que 30% do diesel é importado", relatou. "A solução está no agro, que faz toda biomassa virar combustível que vai para os tanques dos automóveis", completou.
O setor tem defendido aumento das misturas obrigatórias de biodiesel ao diesel e do etanol à gasolina. A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que poderia decidir sobre o tema, prevista para esta quinta-feira (12/3), foi cancelada.